Poluente Fontes Emissoras Efeitos na Saúde Humana
PM2,5 e PM10 – partículas finas com diâmetro ≤ 2,5 µm e 10 µm
As partículas em suspensão (mistura de partículas no estado sólido ou líquido) provêm das cinzas, da fuligem e de outras partículas produzidas principalmente pela combustão de carvão e fuelóleo na indústria e nos automóveis. São geradas em processos industriais, resultando também do tráfego rodoviário (sendo emitidas nos gases de escape dos veículos a gasóleo e provenientes do desgaste dos pneus e dos travões), de processos de queima, de movimentações de terras e da ressuspensão provocada pela passagem de veículos nas estradas. São também originados por fenómenos naturais de emissão e transporte de partículas a longa distância – eventos naturais. São exemplo disso as elevadas concentrações de partículas finas registadas em Portugal e que, maioritariamente, têm origem nos desertos do Norte de África.
As vilosidades e mucosas nasais capturam as partículas de maior diâmetro impedindo que cheguem aos pulmões. Porém, as mais finas (produzidas pelo tráfego), por serem de menor dimensão, como é o caso das PM2.5 (partículas em suspensão de diâmetro aerodinâmico inferior a 2,5 μm), conseguem penetrar no sistema respiratório, com consequências mais gravosas em termos de saúde. As partículas microscópicas podem afetar a atividade respiratória, com especial incidência em população de risco como as crianças e idosos, e agravar o estado de saúde em pessoas que sofram de doenças respiratórias e cardiovasculares. O seu risco não depende tanto da sua concentração, mas sim de outros parâmetros como o seu tamanho e a sua toxicidade. As partículas em suspensão também afetam o coberto vegetal e reduzem a visibilidade.
NO₂ (Dióxido de azoto)
O dióxido de azoto resulta da queima de combustíveis nas unidades industriais e da combustão, a altas temperaturas, nos motores dos veículos automóveis. Na combustão a temperaturas elevadas, o azoto e o oxigénio moleculares do ar formam os óxidos de azoto, sobretudo monóxido de azoto que se oxida em grande parte a dióxido de azoto.
O NO₂, ao ter pouca afinidade pela água das mucosas, alcança as regiões profundas do trato respiratório e inibe algumas funções dos pulmões, tais como a resposta imunológica, diminuindo a resistência às infeções. Assim, os seus efeitos traduzem-se no aumento da suscetibilidade a doenças respiratórias, principalmente em crianças, e também no aumento da possibilidade de ataques de asma.
O₃ (Ozono)
O ozono é um poluente secundário, resultando geralmente da transformação fotoquímica de certos poluentes primários na atmosfera, em particular dos óxidos de azoto (NOx) e dos compostos orgânicos voláteis (COV), sob o efeito da radiação ultravioleta.
O ozono é um poderoso oxidante, podendo uma exposição crónica agravar os sintomas de irritação do trato respiratório e provocar dificuldades respiratórias (p. ex. impossibilidade de respirar fundo, inflamações brônquicas ou tosse). Uma intoxicação aguda provoca uma reação inflamatória ao nível das mucosas respiratórias e agrava os sintomas de problemas respiratórios preexistentes.

Enquadramento legislativo

Em termos legislativos, o Decreto-Lei n.º 102/2010, de 23 de setembro, relativo à avaliação e gestão da qualidade do ar, alterado e republicado pelo Decreto-Lei n.º 47/2017, de 10 de maio, estabelece os objetivos de qualidade do ar tendo em conta as normas, as orientações e os programas da Organização Mundial de Saúde, destinados a preservar sua boa condição e a alterá-la quando assim não for o caso.

A tabela seguinte apresenta, de forma sumária, os aspetos legais importantes para a presente monitorização da qualidade do ar ambiente.

Este é o número de vezes que respiramos por dia
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O projeto Respirar Fundo tem como objetivo contribuir para a redução da poluição atmosférica
nas áreas envolventes escolares em Portugal.

A Resolução da ONU de 28 de julho de 2022 declarou o ambiente saudável e sustentável como um direito humano, mas a quase totalidade da população mundial (99%) respira ar cujos poluentes excedem os limites de poluição da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Partindo desta premissa, o projeto “Respirar Fundo” assume-se como uma iniciativa-piloto de ciência cidadã e sensibilização ambiental. Pretende dar resposta à falta de conhecimento sobre o ar que se respira nas áreas envolventes das escolas em Portugal e esclarecer os pontos de contacto entre a poluição atmosférica e as alterações climáticas, tanto nas suas origens como nas soluções.

Propõe como principal abordagem a monitorização da qualidade do ar em 13 escolas do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário em Portugal Continental durante o ano letivo 2025/2026. Será monitorizada a concentração de partículas em suspensão (PM2.5 e PM10) e dos gases NO2 (dióxido de azoto) e O3 (ozono troposférico). Em complemento, serão produzidos diversos conteúdos pedagógicos e sessões informativas com o envolvimento direto dos estudantes e dos docentes das escolas participantes.

Parceiro científico

O CENSE – Centro de Investigação de Ambiente e Sustentabilidade (NOVA FCT) / NOVA.ID participa no projeto enquanto organização associada, sendo responsável pela análise dos dados recolhidos pelos sensores instalados nas escolas participantes.